Guia da convivência conjugal

“Para a relação dar certo, é preciso seguir algumas regras. Veja quais

Marcha nupcial, festa, romance, muito amor e, é claro, fé no “felizes para sempre”. Casar é isso, mas, passado o momento “conto de fadas”, quando a gente se entrega à vida a dois esperando um mar só de rosas, logo aparecem os espinhos. Não adianta querer enganar: não é todo dia que as coisas correm às mil maravilhas no casamento, certo? É marido virando sapo, mulher virando bruxa… A convivência acaba por revelar defeitos incômodos do parceiro, o que não é, no entanto, motivo para deixar que a relação vá pelos ares. Há como manter a chama do amor sempre acesa e sobreviver, firme, forte e feliz, à conflitante – e por que não também saborosa? – guerra diária da convivência.

Dois em um

Segundo Ailton Amélio da Silva, especialista em relacionamentos amorosos e autor de Para viver um grande amor (Editora Gente), o casamento é algo mágico, companhia profunda e eterna. “Estar casado com outra pessoa é ter alguém que cuida de você, que te ama incondicionalmente e te coloca em primeiro lugar na vida”, garante Ailton. E completa: “O sentimento deve ser recíproco, porque casar é isso: ter um projeto comum, transformando o ‘eu’ em ‘nós'”.

De fato, o casal encerra, ao mesmo tempo, duas individualidades, duas histórias e duas visões de mundo, mas reunidos em torno de uma só identidade: a certidão de nascimento até dá lugar à de casamento! De agora em diante, um ideal comum: a felicidade conjugal. E onde existem ideais, há investimento. “É necessário investir na relação para sempre”, afirma Karen Camargo, psicóloga. Quem disse que casamento não é um grande negócio? “Para formar uma unidade, é preciso dar e ceder o tempo todo, dos dois lados”, revela Ailton Amélio. “Mas sem chantagens”, alerta. Nada, portanto, de ‘toma lá, dá cá’.

Procurar um novo relacionamento quando o seu cai na rotina não é a solução, porque certamente a nova relação também cairá. É preciso lutar.

É, quando a gente ama, juntar os trapos parece uma idéia genial e indiscutível. Um amor, uma cabana, pronto! Na prática é assim mesmo, mas não se pode esquecer de alguns detalhes. Fique atenta, porque cada atitude despercebida ou problema malresolvido podem minar a relação!

A rotina

A palavra até arrepia! Mas a verdade é que todo casamento está fadado a ela.

No dia-a-dia, os problemas domésticos e do trabalho acabam consumindo completamente você e o seu parceiro, trazendo altas doses de mau-humor e passando a fazer parte do cada vez mais distante “lar, doce lar”. Para saber se o seu casamento está caminhando para o fracasso imposto pela rotina, pergunte-se se você está dedicando um tempo ao seu companheiro. Por menor que seja esse tempo, frente à correria do dia-a-dia, faça com que ele seja de qualidade. A regra é inovar! “Casamento é como andar de bicicleta: se parar, cai”, compara Ailton Amélio.

Pois é, o fato é que ninguém gosta de repeteco, e nem poderia! Imagine que chatice se os dias fossem sempre iguais! Já dizia Balzac que o casamento deve lutar sem descanso contra o monstro do costume. Entregar os pontos sem lutar não vale, não é mesmo? “Procurar um novo relacionamento quando o seu cai na rotina não é a solução, porque certamente a nova relação também cairá. É preciso lutar”, afirma Karen Camargo. E às vezes é isso mesmo o que está faltando no casamento: o gostinho da (re)conquista.

Uma dose de criatividade

Espante o marasmo e o desânimo! Faça surpresas (homem também adora ser surpreendido!), diga palavras carinhosas e sinceras, não deixe o homem esquecer que você o ama! Alimente a vida a dois com pequenos gestos e atenções: um sorriso, um toque de mão, um beijo inesperado, busque tudo o que pode agradar o maridão da forma mais sincera e natural possível! Para isso, nunca desista de conhecê-lo. De acordo com especialistas, os casamentos felizes e duradouros estão baseados em uma profunda amizade, sem essa de que paixão e amor não combinam com ela! Quando se conhecem os gostos, anseios e sonhos do parceiro fica muito mais fácil agradá-lo, e vice-versa.

Contra o desleixo, que vai ganhando espaço no dia-a-dia, bom senso. Em casa, por exemplo, não se dê ao luxo, só porque “ninguém” está vendo, de andar com calcinha furada, camiseta surrada, desbotada ou manchada, cabelo preso com elástico de dinheiro… Não há homem que vá sentir atração desse jeito! “É preciso dar o melhor de si, tanto as mulheres quanto os homens, para ganhar da concorrência”, brinca Ailton Amélio, com um fundo de verdade.

Além de inovar e usar o bom senso, ouse também! Esse é outro ingrediente básico do antídoto contra a rotina. “Ela é inevitável, porque temos certos padrões a seguir, como trabalhar, cuidar da casa, dos filhos, do mercado, da empregada… Mas podemos sempre quebrar esse costume surpreendendo o outro. De repente, uma viagem no final de semana, um telefonema carinhoso, um bilhete ousado no banheiro, uma lingerie atraente, um jantarzinho a dois, enfim, o importante é tirar um dia da semana para ficar sozinha com ele”, conta Débora Araújo, arteterapeuta.

Já experimentou rearrumar os móveis de casa, mudar as cores das paredes, trocar um vaso de lugar? Há quem diga que não basta casar uma vez, tem que casar várias vezes, com a mesma pessoa! Explore uma nova decoração, novos lugares de lazer, noites românticas… Respirar novos ares pode ser tão revigorante quanto novas brincadeiras entre quatro paredes! Quem sabe visitar uma sex shop não é a pimenta que faltava nesse prato? Mas não se esqueça: sexo não resolve todos os problemas. “Acima de tudo, respeito e companheirismo”, recomenda Ailton Amélio.

Convivendo com as diferenças

Ele espreme o tubo de pasta de dente em cima e você, embaixo. Ele deixa roupa espalhada e você é toda organizada. Ele é racional, você é romântica. Bom, o que seria do mundo se as pessoas fossem todas iguais? Não teria a menor graça, não é mesmo? Pois é, mas muitas vezes ele não se comporta exatamente como você esperava, e você também parece não atender às expectativas dele. E agora? Segundo Ailton Amélio, tem coisas que não mudam. Por isso, é importante pesar na balança e ver se as compatibilidades superam as incompatibilidades. “Tudo no casamento é uma questão de custo-benefício e, é claro, para sermos felizes, é importante que os benefícios superem os custos”, revela Ailton.

Logo, o primeiro passo a ser tomado, se você e seu parceiro se amam, é respeitar as opiniões e entender as diferenças um do outro. Não tente mudar os hábitos de seu companheiro para que ele se adeque a você. Segundo Marta Lins, advogada, é tudo uma questão de jogo de cintura. “Você tende a achar que ele vai reagir da mesma forma que você, mas isso é um erro. Ambos têm que ter muito jogo de cintura e vontade de acertar. Se as pessoas se aceitam mutuamente como são, acabam mudando, amadurecendo juntas, e isso torna a relação estável”, afirma Marta.

Não se pode deixar a individualidade prevalecer. “Quem casa, tem que estar disposto a entrar com os dois pés na canoa”, diz Ailton Amélio. Portanto, ao invés de tornar as diferenças um ponto negativo e transformar-se em numa pessoa impaciente, busque neutralizá-las ou até mesmo valorizá-las. Experimente, por exemplo, variar os programas de acordo com os gostos de cada um, ao invés de olhar apenas para o próprio umbigo. “O ideal para um relacionamento duradouro é a compreensão, a paciência e o bom senso”, afirma Karen Camargo.

Se algo te perturba imensamente em relação ao parceiro, prefira conversar com ele sobre isso, com jeitinho. Prorrogar esse tipo de coisa pode ser gol contra para a relação. “Não guarde mágoas, converse sobre tudo o que não te agrada”, aconselha Karen Camargo. E, se der briga, vocês não precisam virar inimigos dentro de casa! “As brigas, em alguns momentos, podem ser melhores do que ficarem calados. Mas é preciso haver respeito”, alerta Karen. Nada de exaltações, gritarias ou festival de palavrões. Casa é lar, e não barraco! Respeite você mesma, seu parceiro e também seus filhos, caso você os tenha. Evite, também, trazer à tona erros do passado. Se algo ficou mal resolvido, aproveite para esclarecer. Não deixe que um problema vá puxando outro, formando uma verdadeira bola de neve! Coloque sempre todos os pingos nos is. Se o erro for seu, saiba pedir desculpas e não insista nele.

Espaço e muita conversa

Muitos casais reclamam da falta de privacidade no casamento, mas o segredo é saber administrar a individualidade. Passar o dia inteirinho com o seu amor é uma maravilha, mas não todo santo dia. Dê a ele e a si mesma um espaço para respirar. O que tem de mal deixá-lo sair com os amigos, jogar futebol no domingo? Você também pode aproveitar para pôr o papo em dia com aquelas amigas que você não vê há séculos.

Para Antonio Carlos de Almeida, técnico em informática e eletrônica, compartilhar totalmente a privacidade um do outro é um erro, assim como se apegar demais ao parceiro. “Nascemos livres e assim devemos nos manter”, defende. “Acredito que é muito importante respeitar os espaços de cada um. Sou muito a favor, por exemplo, de dormir em quartos separados! Não respeitando o espaço, nada mais será respeitado no casamento”, afirma Antonio Carlos.

De acordo com Ailton Amélio, o trunfo do matrimônio é exatamente esse: liberdade para construí-lo da forma como se quer. Ou seja, cada casal encontra sua própria forma de renovar os votos do matrimônio. “Ao contrário do que muitos pensam, casamento não tem fórmula. Tudo é uma questão de diálogo: deve-se conversar e escolher junto com o parceiro a melhor forma de manter a relação”, aconselha Ailton Amélio.

Antonio Carlos concorda: “Muita conversa, mais do que sexo, é o segredo de um bom relacionamento. É preciso ser, ao mesmo tempo e verdadeiramente, amigo, companheiro, amante e namorado, mas sem se importar demais com o carnal”. Segundo ele, apenas atração física pode ser fatal para o casamento. “Corpo não pensa, não fala e não demonstra sentimentos. As ações, que vêm da cabeça, essas sim, são mais importantes”, afirma.

Divisão de tarefas

Nada como o trabalho em equipe, não é mesmo? Na vida a dois, é preciso aprender a dividir tarefas e obrigações. Quando um sente que tem carga de trabalho maior do que o outro, está montado o palco para um conflito. Converse com o seu marido e estabeleça uma espécie de quadro de tarefas, levando em conta a disponibilidade de cada um. “Não tenha medo de pedir ajuda ao seu parceiro”, diz a psicóloga Karen Camargo. Se vocês tiverem filhos, dividam responsabilidades. Ninguém cria filho sozinho!

Contas para pagar também costumam dar a maior dor de cabeça, mesmo nos pombinhos mais apaixonados. É importante conversar sobre as finanças com o seu parceiro e ver a que solução podem chegar para não pesar tanto no bolso de ninguém. Tudo bem, é difícil manter o humor e até mesmo o clima para a intimidade quando você não sabe se o dinheiro vai render até o final do mês, e por isso mesmo um deve sempre apoiar o outro, na alegria e na tristeza.

Enfim, confiança

Esse é um dos fundamentos básicos do casamento e de toda relação amorosa. Se você é do tipo desconfiada, mantenha os pés no chão, acredite em você e lembre-se: confiar na pessoa amada e demonstrar segurança é uma das regras básicas para se manter o relacionamento saudável. E se nada deu certo, bom, todos têm o direito de recomeçar em outro lugar. Mas lembre-se: a felicidade só depende da persistência e do companheirismo do casal!”

                                                                                                             (Daniela Pessoa)


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